“Estamos a construir uma equipa com pessoas trabalhadoras e honestas. Acho que vamos ter um conjunto bom e unido”

Edgar Pinto está de regresso ao pelotão nacional. Mais uma das surpresas neste mercado de transferências, depois de Sérgio Paulinho ter assinado pela Efapel e Fábio Silvestre pelo Sporting-Tavira. O ciclista de Albergaria-a-Velha admite que estava bem na Skydive Dubai e que a equipa do Médio Oriente queria que continuasse. Porém, o apelo familiar – o pai é um dos mentores da nova equipa do ciclismo português, a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack – e estar num projecto com base na sua terra foram factores irresistíveis. “Só assim fazia sentido regressar”, confessou ao Volta ao Ciclismo. Para trás ficaram dois anos de experiências que não irá esquecer e muitas delas sabe que não irá repetir.

“Fiz corridas importantes que seria difícil a uma equipa portuguesa participar. Fiz corridas bastante diferentes, como na Indonésia ou em África… algumas não voltarei a fazer. São muito longe e as deslocações implicam gastos enormes”, contou, recordando ainda a dificuldade de treinar no Dubai: “Tínhamos de treinar de madrugada ou então à noite [devido ao calor]. Para treinar subidas, tinha de fazer uma viagem de carro de hora, hora e meia para fazer subidas de dois quilómetros!”

2017 será o regresso a Portugal para encabeçar um projecto que tem o pai, Fernando Pinto, como um dos mentores e o irmão Pedro Pinto, como mecânico. José Augusto Silva será o director desportivo. Edgar Pinto não descarta a possibilidade de voltar a aceitar uma experiência no estrangeiro, mas apenas se for “uma proposta interessante e de uma equipa de categoria superior”. Agora só pensa no novo projecto e em “ajudá-lo a crescer”.

Apesar da LA Alumínios ser um dos patrocinadores, o ciclista salienta que esta é uma nova equipa e que apenas herda da extinta LA Alumínios-Antarte um dos patrocinadores… e o autocarro. Toda a estrutura será nova e para já só dois ciclistas estão confirmados além de Edgar Pinto: César Fonte (Rádio Popular-Boavista) e Hugo Sancho, que estava na antiga LA. Apesar de ter começado tarde a contratar ciclistas, Edgar Pinto salientou que se houver união, será uma formação que poderá algumas conquistar vitórias. “Estamos a construir uma equipa com pessoas trabalhadoras e honestas. Acho que vamos ter um conjunto bom e unido”, disse.

“Temos um calendário bem composto até final de Agosto. Depois da Volta a Portugal quase não corremos. Não é bom para o atleta, não é bom para os patrocinadores e prejudica a modalidade”

Edgar Pinto tem a ambição de ter um ano que vá além da Volta a Portugal. Não é segredo que o ciclista, de 31 anos, é crítico do calendário nacional. “Temos um calendário bem composto até final de Agosto, mas depois da Volta a Portugal quase não corremos e são muitos meses sem competir até Fevereiro. Não é bom para o atleta, não é bom para os patrocinadores e prejudica a modalidade”, realçou. Por isso, um dos objectivos da temporada passa por “tentar alargar esse calendário”. Ou seja, a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tentará fazer mais competições após a Volta a Portugal. Edgar Pinto considera que seria importante a existência de grandes prémios até meados de Outubro e não apenas os habituais circuitos. “Temos bom clima para isso.”

A boa forma é para manter todo o ano

A Volta a Portugal pode ser o ponto mais alto do ciclismo para as equipas portuguesas, mas Edgar Pinto avisou que não é ciclista “de pensar apenas na Volta”. “Primeiro há outras corridas e depois pensarei na Volta, a seu tempo”, afirmou. “Gosto de andar bem o ano inteiro e isso passa por estar em boa forma nos grandes prémios e em 2017 a Volta ao Algarve e a Volta ao Alentejo [em Fevereiro] será uma boa altura para já estar em forma”, frisou. Crente que a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack terá ciclistas para discutir qualquer corrida, alerta que a equipa terá sempre a ambição de vencer, mesmo que no início da época possam existir algumas dificuldades devido ao facto da formação ter começado mais tarde do que as restantes a contratar e a preparar 2017: “Com o decorrer da época, as coisas irão compor-se.”